Cotidiano
 
Pesquisa sobre projeto de leitura adotado em Boa Vista é apresentada em Brasília
O assunto está em discussão no 4º Seminário Internacional Marco Legal da Primeira Infância realizado pela Câmara dos Deputados e Senado Federal
 
Por - Redação I 06/07/2016 - 19:53 -
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Fotos: Divulgação
O pesquisador da Escola de Medicina da Universidade de Nova York (NYU), Alan Mendelsohn apresentou os resultados da pesquisa sobre o Família que Acol
Cerca de 30 milhões, essa é a quantidade de palavras que uma criança com uma condição de vida melhor pode ouvir a mais do que uma criança pobre. O lar afetuoso, uma maior atenção dos pais e o hábito de ler para os filhos faz toda a diferença, mas não é fácil alcançar em meio à fome, pobreza e outras situações de risco.

Diminuir essa disparidade é um desafio não só das famílias, mas das políticas e gestores públicos. O assunto está em discussão no 4º Seminário Internacional Marco Legal da Primeira Infância realizado pela Câmara dos Deputados e Senado Federal, até quinta-feira, 7, em Brasília.

O destaque do evento ficou para o Família que Acolhe (FQA). O pesquisador da Escola de Medicina da Universidade de Nova York (NYU), Alan Mendelsohn, apresentou em primeira mão os resultados da pesquisa que realizou durante um ano com o projeto de leitura que faz parte das atividades do FQA.

A pesquisa intitulada Prevenção de Disparidades de Prontidão Escolar entre Crianças de Famílias de Baixa Renda em Boa Vista, realizada em parceria com o Instituto Alfa e Beto (IAB), acompanhou 1.250 crianças das Casas Mãe de Boa Vista e seus responsáveis. Tudo isso pelo período de um ano.

Os principais resultados mostraram que, nas crianças que receberam o estímulo dos pais, houve um aumento de 14% no vocabulário, 27% na memória de trabalho (componente cognitivo que permite o armazenamento temporário e manipulação das informações necessárias para tarefas complexas).

Também foi registrado um aumento de 50% na interatividade entre pais e filhos durante a leitura. A pesquisa ainda apontou uma redução de 25% no índice de crianças com problemas de comportamento e, por consequência, diminuição das punições físicas.

“O que se percebeu foi um ganho em vários aspectos nas famílias. O aumento da frequência e da qualidade da leitura, a interação entre pais e filhos. A partir daí a gente conseguiu avanços no desenvolvimento cognitivo, da linguagem, as crianças aprenderam mais palavras. Na parte socioemocial, as crianças estão mais seguras”, explicou o pesquisador.

O estudo foi feito com diferentes grupos de crianças inseridas nas Casas Mãe, creches da prefeitura que atendem crianças na faixa etária de 2 a 3 anos e 11 meses. Em 11 unidades as famílias participaram do programa Leitura Desde o Berço, que incentiva o hábito desde a gestação. Os pais ou responsáveis foram estimulados a lerem para os filhos em encontros nas creches e também por meio do empréstimo de livros pra levar para casa.

Os pais ainda receberam capacitação para desenvolver habilidades de leitura e interação com as crianças. A pesquisa também foi feita em outras 11 casas mãe com famílias que não participaram do programa Leitura Desde o Berço e ainda com um terceiro grupo que não faz parte das creches do município e que também não tem o hábito de leitura. Essa metodologia permitiu aos pesquisadores que comparassem o desempenho nas diferentes situações.

Profissionais do Família Que Acolhe comentam resultado da pesquisa

Gestores, cuidadores, educadores das casas mãe e outros profissionais do programa Família Que Acolhe acompanharam de longe a apresentação da pesquisa. Na sede do programa em Boa Vista, eles avaliaram cada dado que confirmou a efetividade do trabalho que desenvolvem diariamente.

Para Gardene Moraes, coordenadora de três unidades das casas mãe onde o projeto Leitura Desde o Berço é aplicado, os resultados do estudo comprovam que trabalhar o vínculo familiar é a melhor forma de proporcionar que cada criança alcance todo seu potencial de desenvolvimento.

“É maravilhoso ver que o nosso trabalho de estimular e empolgar os pais a lerem para os filhos está contribuindo para melhorar a autoestima das crianças, as relações sociais e o aprendizado. Nós percebemos que os pais estão mais parceiros e comprometidos com o desenvolvimento dos filhos”, destacou.

O programa Família Que Acolhe acompanha mãe e criança desde a gravidez de forma integrada entre educação, saúde e social. Busca despertar a leitura desde o nascimento do bebê, com iniciativas como o empréstimo de livros e o funcionamento de uma biblioteca na sede. Esse processo é intensificado na chegada das crianças às casas mãe, que são parte do FQA.

“A leitura é uma das ferramentas importantes para construir e fortalecer o vínculo entre a família e a criança. No momento em que uma mãe lê para o filho, ela está dando atenção, afeto. Por isso, nós procuramos despertar a mãe desde cedo sobre a importância da leitura para o desenvolvimento da criança”, contou a coordenadora do Família Que Acolhe, Andreia Neres.

 
 
 

 

 

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