Cotidiano
 
Pesquisadores identificam vírus chikungunya no laboratório da UFRR
O estudo dos pesquisadores possibilita que a análise seja realizada em Roraima, reduzindo o tempo de isolamento e identificação do vírus
 
Por - Redação I 25/03/2015 - 13:09 -
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Fotos: Divulgação
Os professor Pablo Oscar Amézaga Acosta e Fabiana Granja integram a equipe de pesquisa em arbovírus do LaBMol
O trabalho do Laboratório de Biologia Molecular (LaBMol) da Universidade Federal de Roraima (UFRR) vai ajudar os roraimenses a se defender e conhecer melhor o vírus chikungunya (CHIKV). Recentemente, pesquisadores do LaBMol conseguiram aplicar uma técnica que permitirá a identificação do vírus na fase aguda da doença, entre o 1° e 5° dia de início dos sintomas e, em parceria com a equipe do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD), Fiocruz de Manaus, determinar qual subtipo do vírus circula no Estado.

Desde novembro do ano passado, a equipe do LaBMol trabalhava com o objetivo de fazer a identificação do vírus chikungunya em Roraima, o que não era possível por falta de reagentes. Até então, todos os casos confirmados da doença em Roraima tiveram de ser examinados pelo Instituto Evandro Chagas (IEC), em Belém.

Em janeiro, o laboratório recebeu os reagentes necessários para a utilização da técnica de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) em Tempo Real e neste mês, conseguiram identificar o vírus CHIK. Pablo Oscar Amézaga Acosta, chefe do grupo de pesquisa em arbovírus (vírus transmitidos por mosquitos) do LaBMol, explicou as vantagens que essa pesquisa trouxe à população de Roraima.

“É importante saber que tipo de doença o paciente tem quando ele chega ao médico. Como dengue chikungunya e outros arbovírus tem um quadro muito similar, agora o médico terá certeza de que doença se trata. Em larga escala, se pudermos saber onde os casos da doença estão ocorrendo, o poder público poderá executar ações de bloqueio nos locais onde houver maior incidência e assim tentar exterminar o mosquito transmissor, o Aedes Aegypti. É bom ressaltar que chikungunya não tem cura. A maneira mais eficaz de combatê-la é dando fim ao mosquito, evitando que mais pessoas sejam contaminadas”, afirmou Acosta.

Além disso, com a possibilidade do diagnóstico do vírus sendo feito aqui, o próprio número oficial de notificações da chikungunya em Roraima poderá ser atualizado mais rapidamente. Hoje, o Estado tem 10 casos confirmados da doença, sendo que todos tiveram de ser enviados ao IEC, no Pará, o que aumenta o tempo de diagnóstico. Com o uso do PCR em Tempo Real, do LaBMol, em 24 horas será possível dizer se o paciente está ou não com a doença.

CEPA ASIÁTICA

Além de proporcionar a detecção mais rápida do Chikungunya, o pessoal do LaBMol, em parceria com o Dr. Felipe Naveca, do ILMD-Fiocruz de Manaus, também conseguiu saber a cepa (subtipo do vírus) circulante do vírus no Estado. Algo que até então não havia sido feito.

Isso ocorreu, pois após o sucesso da aplicação do PCR em Tempo Real, que possibilitou a identificação do Chikungunya, os pesquisadores usaram a técnica da PCR Convencional para separar um segmento maior do material genético do vírus. Esse material foi enviado para o Amazonas, onde os pesquisadores do ILMD, fizeram o sequenciamento genético, e assim o LaBMol concluiu que a cepa, ou genótipo, do chikungunya que circula em Roraima é a asiática, mesma identificada em países do Caribe.

De acordo com Ismael Alexandre Nascimento, aluno do 8° semestre do curso de Biologia da UFRR, que faz parte da equipe de pesquisadores, a cepa asiática do vírus é transmitida com eficiência pelo Aedes Aegypti, mosquito que também transmite dengue e é encontrado no Estado.

PRÓXIMO PASSO

Na semana passada, o LaBMol, enviou um memorando à Secretaria de Saúde do Estado de Roraima, Laboratório Central de Roraima, Vigilância Epidemiológica Estadual e Municipal e Hospital Geral de Roraima informando sobre os resultados da pesquisa, colocando-se à disposição para fazer pesquisas de confirmação laboratorial de casos mais graves ou mais relevantes do ponto de vista epidemiológico.

EQUIPE

Além do professor Pablo Oscar Amézaga Acosta e do acadêmico Ismael Alexandre Nascimento, a equipe de pesquisa em arbovírus do LaBMol é formada pela professora Fabiana Granja, os acadêmicos de 6° semestre de biologia, Kemeson Alves Naveca, Mayara Bianca Rodrigues, Enayra Ferreira, Claudiane De Sousa Silva e a acadêmica de mestrado Aurenice dos Reis Rocha Rodrigues.

 
 
 

 

 

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